FORAM OS GREGOS QUE INVENTARAM!

 

A democracia está em crise desde que foi concebida pelos gregos há mais de 2.500 anos. Na Grécia, mais precisamente em Atenas como cidade-estado, a experiência democrática era elitista, excludente e restritiva. Segundo dizem, no apogeu da democracia grega, Atenas teria cerca de 400.000 habitantes, divididos, aproximadamente, em três grupos, cada um com um terço do total: os cidadãos, os estrangeiros e os escravos. Dos cerca de 130.000 cidadãos, apenas os homens, maiores de 18 anos, que tivessem prestado serviço militar, detinham direitos políticos. Assim, excluídos os homens até 18 anos, os escravos, os estrangeiros, as mulheres e as crianças, a democracia era praticada por, talvez, uns 40.000 cidadãos atenienses.

Localizada na Ática, uma região geográfica de cerca de 3.800 km² (pouco maior que a Região Metropolitana de Campinas), onde estava Atenas, a democracia ateniense concebida por Clístenes era composta por 10 demos, palavra que podia significar povo, bairro ou comunidade. Anualmente os demos sorteavam 50 cidadãos para os representarem em um Conselho (de 500 membros, portanto) que governava a região. Dentre os membros do Conselho eram sorteados 50 membros que, por sua vez, formavam uma espécie de Comitê de Gestão que preparava a pauta dos assuntos (inclusive as leis) a serem votados nas assembleias gerais formadas por todos os cidadãos com direitos políticos. Uma complexa estrutura de sorteio, combinada com votações, definia, nos demos e nas assembleias, a escolha de magistrados e comandantes militares.

Assim, embora direta, pois o cidadão não outorgava a ninguém o poder de representá-lo na votação das leis, a democracia ateniense nada tinha de igualitária. No entanto, o defeito não estava no modelo de representação política e sim na natureza humana.

Quem quer que se interesse por política, por filosofia ou pelas questões existenciais que ocupam os pensamentos humanos já se questionou sobre o modelo de democracia representativa que conhecemos, como ferramenta para por em prática os ideais de liberdade e justiça social.